Por Marcelo de Ávila Francos – Diretor Artístico e Cultural MTG/PR

Buenas Pessoal!

Hoje darei continuidade ao post da semana passada falando sobre o mate. Falarei sobre a Lenda da Erva Mate, os tipos de recipiente para a água, as partes que compõem o mate, os tipos de bombas que são usadas, algumas referências sobre o mate(dizeres) e os Dez Mandamentos do Chimarrão.

A LENDA DA ERVA MATE

Contam que um guerreiro guarani, que pela velhice não podia mais sair para as guerras, nem para a caça e pesca, porque suas pernas trôpegas não mais o levavam, vivia triste em sua cabana. Era cuidado por sua filha, uma bela índia chamada Yari, que o tratava com imenso carinho, conservando – se solteira, para melhor se dedicar ao pai.

Um dia, o velho guerreiro e sua filha receberam a visita de um viajante, que foi muito bem tratado por eles. À noite, a bela jovem cantou um canto suave e triste para que o visitante adormecesse e tivesse um bom descanso e o melhor dos sonos.

Ao amanhecer, antes de recomeçar a caminhada, o viajante confessou ser enviado de Tupã, e para retribuir o bom trato recebido, perguntou aos seus hospedeiros o que eles desejavam, e que qualquer pedido seria atendido, fosse qual fosse.

O velho guerreiro, lembrando que a filha, por amor a ele, para melhor cuidá-lo, não se casava apesar de muito bonita e disputada pelos jovens guerreiros da tribo, pediu algo que lhe devolvesse as forças, para que Yari, livre de seu encargo afetivo, pudesse casar.

O mensageiro de Tupã entregou ao velho um galho de árvores de Caá e ensinou a preparar a infusão, que lhe devolveria as forças e o vigor, e transformou Yari em deusa dos ervais, protetora da raça guarani.

A jovem passou a chamar-se Caá-Yari, a deusa da erva-mate, e a erva passou a ser usada por todos os componentes da tribo, que se tornaram mais fortes, valentes e alegres.

RECIPIENTES PARA ÁGUA

CALDEIRA: recipiente grande, muito utilizada para aquecer grande quantidade de água, para diversas finalidades. é mais bojuda que o jarro, não possui tampa nem bico tubular. Os fogões à lenha possuem um recipiente chamado caldeira, que tem a mesma função da caldeira, semelhante ao jarro .

CHALEIRA GRANDE: de uso semelhante ao da caldeira. É muito encontrada nas cozinhas da campanha, nos fogões de barro e nos galpões e nos braseiros do fogo de chão. Por ser muito grande, seu manejo é incômodo.

CHALEIRA MÉDIA: Também conhecida por pava. Devido ao seu tamanho, é a mais usada, quer para aquecer a água, quanto para servir o mate.

CHALEIRA PRETA DE FERRO: varia muito de tamanho e forma mas é o tipo mais comum. Com o uso, chega a criar uma crosta de picumã, que não deve ser removida, pois pode furar com facilidade.

CAMBONA PRIMITIVA: estas cambonas vinham da Inglaterra, com chá-da-índia. Eram feitas de cobre e possuíam a parte de baixo arredondada e sua alça era deita de arame ou de lata. Serviam para preparar alimentos, aquecer água. Tem um refrão popular, que muito bem traduz o quanto à cambona é desajeitada, virando com muita facilidade, que é: “Cambona em cima de tição, tomarás mate ou não!”

CAMBONA: pode ser feita de qualquer lata, pois sua finalidade é única e exclusivamente a de aquecer água, sem precisar de muito fogo. Sua confecção é simples, basta Um pedaço de arame passado várias vezes junto ao local da lata, deixando Um rabicho para pegar e está pronta a cambona. Alguns preferem improvisar um rabicho de arame na parte de cima ou uma alça de arame, prendendo em cima e em baixo da lata e ainda enfiam no rabicho ou na alça, um pedaço de osso de canela do gado, para evitar o calor ao pegar. A picumã, que adere à cambona, não deve ser retirado, pois enfraquece o recipiente.

CHICOLATEIRA: A chicolateira é um recipiente usado nos fogões campeiros, para aquecer a água. Ela difere da cambona, uma vez que possui alça, tampa e um pequeno bico. É um utensílio que requer algum acabamento. È muito usada, não só nos galpões e cozinhas campeiras, como também por carreteiros e tropeiros. O termo chicolateira é uma corruptela de chocolateira.

PARTES DO MATE

a – Topete, respiro, morrete, cerro, barranco, crista (fica à esquerda da bomba).

b – Bomba, bombilha. Se ficar a esquerda do topete, é mate de canhoto.

c – Beiço, boca.

d – Pescoço (na cuia de beiço).

e – Cuia, mate, porongo.

f – Umbigo, cabo, bico.

 TIPOS DE BOMBAS

1 – tacuapi primitivo

2 – tacuapi missioneiro

3 – bomba de mola

 PARTES DA BOMBA

1 – Bico, bocal, chupeta, boquilha.

2 – Anel, pitanga, botão de rosa, resfriador, passador.

3 – Haste, corpo de bomba.

4 – Coador, ralo, patilha, colher, bojo, coco, apartador.

ALGUNS DIZERES

O primeiro mate é dos pintos .  – como o gaúcho atira fora os primeiros sorvos de mate, serão os pintos os aproveitadores das partículas de erva cuspidas.

O mate pra o estribo ou O mate o mate do estribo . O último mate com que se brinda um visitante, quando ele já está “com pé no estribo”, ou seja, pronto para partir.

 

Como o mate do João Cardoso . Emprega-se para designar um fato que nunca se realiza, uma promessa que nunca se cumpre.

Como o mate das senhoras Morais . Idêntico significado da frase anterior. As senhoras Morais, residente na povoação de Basílio, no município de Herval, quando recebiam visitas passavam a tarde inteira perguntando se os amigos queriam mate doce ou chimarrão, com erva paraguaia ou brasileira, em cuia de porcelana ou porongo… para, no final, nada oferecerem.

Toma mais um mate. Não te vás, é cedo ainda.

Aquentar a água pra outro tomar mate. Preparar um negócio para outro pessoa colher os lucros. Emprega-se de modo especial para designar um namorado que “prepara uma moça para depois outro casar com ela…

A “erva”. O dinheiro.

Ele se encheu de “erva”. Ele ganhou muito dinheiro. Talvez um vestígio do tempo em que a erva supria a ausência de moedas sonantes.

Nem pra erva. No último grau de pobreza. Sem dinheiro se quer para comprar o artigo de primeiríssima necessidade quotidiana, que é a erva-mate.

OS DEZ MANDAMENTOS DO CHIMARRÃO

1º – Não peças açúcar no mate.

2º – Não digas que o chimarrão é anti-higiênico.

3º – Não digas que o mate está quente demais.

4º – Não deixes um mate pela metade.

5º – Não te envergonhes do ronco do mate.

6º – Não mexas na bomba.

7º – Não alteres a ordem em que o mate é sorvido.

8º – Não durmas com a cuia na mão.

9º – Não condenes o dono da casa por tomar o primeiro mate.

10º – Não digas que o chimarrão dá câncer na garganta.

 

BIBLIOGRAFIA

FAGUNDES , Glênio – Cevando o Mate

LESSA , Luiz Carlos Barbosa – História do Chimarrão

TUBINO, Wilson – Os Mistérios Ocultos do Chimarrão

TEIXEIRA , Luiz Rotilli – A Importância Social do Chimarrão

BERKAI, Dorival e BRAGA, Clóvis Airton – 500 Anos de História de Erva-mate

RIBEIRO , Paula Simon – Folclore: Aplicação Pedagógica ~gaashsa
damschskqkhms,j,c,h

F;AGUNDES, Antonio Augusto – Curso de Tradicionalismo Gaúcho

Fonte: site MTG/RS